A Democracia nos dias de hoje não pode viver apenas do voto das
pessoas, ela precisa de viver da dinâmica da progressiva conquista, por mais e
melhores direitos para todos, e alimentar-se, diariamente, da participação
cívica, da proximidade entre eleitos e eleitores e do grau de cultura dos seus
cidadãos.
Aonde existir fome, falta de saúde, desemprego ou trabalho precário,
falta de habitação, insegurança social e persistir o analfabetismo, a democracia
andará, sempre, muito coxa.
Por outro lado, só uma maioria que, realmente, saiba interpretar o querer
e sentir do Povo pode representar, o mesmo Povo, por isso é fundamental num
Estado Democrático o direito a um ensino gratuito e universal.
Mas essa representatividade não pode ser meramente formal e assentar
só em presentes e futuros sufrágios, tantas vezes com anos e anos de
intervalo. Os eleitos devem assumir e cumprir o dever de ouvirem os eleitores e
fazerem a ponte entre o cidadão e o poder.
A maioria deve também auscultar a minoria, o partido mais votado em
determinado país, talvez nunca viesse a sê-lo se a própria sociedade aonde
cresceu, não lhe tivesse dado oportunidades de propor as suas ideias quando
foi minoritário, e não tivesse tido a oportunidade de se fazer escutar
Em algumas democracias é a minoria a própria voz do povo amordaçado e em
muitas democracias, é, mesmo, a única voz dos excluído

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